A tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) demonstrou durante a pandemia da COVID-19 sua capacidade de gerar vacinas em tempo recorde. Agora, em 2025, o pipeline de aplicações terapêuticas baseadas em mRNA se expandiu dramaticamente. Mais de 40 ensaios clínicos estão em andamento explorando o uso de mRNA para vacinas contra o câncer, terapias de reposição proteica e até mesmo regeneração cardíaca.
O segmento mais avançado é o das vacinas terapêuticas contra o câncer. Diferente das vacinas preventivas, estas são personalizadas para cada paciente: o tumor é sequenciado, neoantígenos são identificados computacionalmente, e um mRNA codificando de 20 a 30 dessas mutações é sintetizado em semanas. Resultados de fase II para melanoma metastático mostram redução de 44% no risco de recorrência quando combinadas com imunoterapia.
No Brasil, o Instituto Butantan e a Fiocruz já possuem plataformas de mRNA em desenvolvimento. A perspectiva é que, em 2026, o país possa produzir vacinas de mRNA contra gripe e, posteriormente, terapias personalizadas oncológicas. O principal gargalo é a capacidade de produção de nanopartículas lipídicas (LNPs), os carreadores do mRNA, mas investimentos em parcerias público-privadas estão em curso para nacionalizar a tecnologia.
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Fonte: Nature Biotechnology — mRNA Therapeutics: The Next Wave, 2025. www.nature.com/nbt
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